Exercício proposto

A carta para
daqui a dez anos.

Você escreve para a mulher que vai ser daqui a dez anos. Sobre dinheiro: o que agradece a ela, o que pede a ela, o que espera que já não pese nela.

É um exercício proposto, não método assentado da MQHD. Publica-se para que os círculos experimentem e digam se serve; se funcionar, entra no método, e se não, sai.

Seria a única coisa do círculo que olha para a frente. A linha da vida, A porta e o caso preparado olham para trás ou para o presente. Esta não.

Escreve-se sozinha, à mão se der. No círculo lê-se um só parágrafo, o que cada uma escolher.

Não há um jeito certo de escrever. Se você travar, estas quatro perguntas costumam destravar:

Três coisas que ajudam

Fale com ela de você

«Espero que você já não…» funciona melhor do que «espero não…». O fato de ser outra pessoa é o que faz o exercício.

Ponha data e um número

«Em 2036, com 47 anos» é diferente de «um dia». A carta vaga não serve.

Não corrija

É uma carta, não um documento. O que sai torto costuma ser o verdadeiro.

Como se compartilha no círculo

Cada uma escolhe um parágrafo e lê em voz alta. Ninguém responde, nem comenta, nem pergunta. Passa-se para a seguinte. O silêncio entre uma e outra faz parte do exercício.

De onde vem

Escrever para o eu futuro é prática comum e não tem autor único documentado. O que está estudado é por que funciona: a pesquisa de Hal Hershfield, da UCLA, sobre a continuidade do eu futuro mostra que quanto mais próxima e concreta se sente a pessoa que se vai ser, melhores decisões de poupança se tomam no presente. Por isso este recurso insiste na data e na idade.