Recurso para o seu círculo
O comitê
de clareza.
Uma mulher traz uma pergunta em que está travada. O círculo só pode fazer perguntas. Ninguém aconselha, ninguém conta o caso dela, ninguém diz «comigo aconteceu igual».
É a única ferramenta do círculo que torna impossível aconselhar por desenho. Não pede contenção: tira a opção. Por isso funciona até nos primeiros meses, quando o reflexo do conselho ainda escapa.
Ela responde o que quiser. No fim, se ela pedir, alguém devolve o que ouviu.
Como se faz
- 01Ela conta · 5 minutos
A pergunta dela e o que já tentou. Ninguém interrompe.
- 02O círculo pergunta · 30 minutos
Só perguntas honestas e abertas. Ela responde o que quiser. Sem debate e sem conversa cruzada.
- 03Devolução · 5 minutos
Se ela pedir: cada uma diz numa frase o que ouviu. Não o que faria.
- 04Fechamento · 5 minutos
Ela diz o que leva. Ninguém pergunta o que ela vai fazer.
O que é uma pergunta honesta, e o que não é
É
- «O que mais pesa para você nisso?»
- «Quando começou a ser assim?»
- «O que aconteceria se você não fizesse nada?»
- «Tem alguma coisa que você não está se permitindo dizer?»
- «O que você gostaria que acontecesse?»
Não é
- «Você já pensou em falar com ele?» — é conselho com ponto de interrogação
- «Você não acha que deveria…?» — igual
- «Por que você não larga isso?» — igual
- «Você sabia que…?» — é informação, não pergunta
- «Comigo aconteceu algo parecido, quer que eu conte?» — é a vez dela, não a sua
O teste mais rápido: se você já sabe o que quer que ela responda, não é uma pergunta honesta.
As três regras
Só perguntas
Nenhuma afirmação. Nenhuma sugestão. Nenhuma experiência própria, por mais que caiba.
Ela manda
Responde o que quiser e como quiser. O silêncio também é resposta.
Sem conclusão
O círculo não chega a um acordo sobre o que ela deve fazer. Não é um comitê que resolve: é um espelho que pergunta.
De onde vem
É uma prática da Sociedade Religiosa dos Amigos (quacres), documentada desde o século XVII, onde se chama clearness committee e se resume numa frase: só perguntas honestas e abertas, sem conselho e sem consertar. Fora desse âmbito, foi difundida por Parker J. Palmer, cuja formulação — no advice, no fixing, no saving — está próxima das quatro falhas que a MQHD nomeia. A MQHD adaptou os tempos e o fechamento à sua própria sessão.