Recurso para o seu círculo

O retiro
do círculo.

Um ano de círculo são onze sessões e um retiro. O retiro não é uma sessão mais longa nem um passeio: é onde o grupo se conhece de outra maneira.

É o que separa um círculo que dura de um que se apaga no mês quatro.

E é o único momento do ano com tempo para ferramentas que não cabem numa sessão de quatro horas.

Como se divide o tempo

Um terço para estar juntas

Sair, caminhar, conhecer o lugar. O que nunca se faz em volta de uma mesa.

Um terço de trabalho

Sessões de círculo, a revisão do ano, ou alguém de fora que venha ensinar algo que o grupo pediu.

Um terço sem programa

Tempo sem agenda. É onde acontecem as conversas que ninguém planejou, e a parte que mais se subestima.

E janelas para sair

Momentos previstos para o telefone, a casa ou o trabalho. Se não forem programados, cada uma os toma quando pode e o grupo se fragmenta.

O orçamento é definido pelo grupo e é definido para baixo: escolhe-se o lugar aonde todas podem ir, não o que as que mais podem gostariam. Reservar fora de temporada e com meses de antecedência baixa o preço, e o preço é o que decide quem vai.

Quatro ferramentas para o retiro

As quatro precisam de mais tempo do que há numa sessão, e três delas mexem com coisas que convém ter espaço para sustentar.

A roda do dinheiro

Oito perguntas sobre a vida com o dinheiro — o que entra, o que sai, o que se guarda, o que se deve, o que protege, o que se sabe, o que se fala e o que se quer — e daí sai uma roda. Cada uma escolhe uma fatia para subir primeiro.

Cada uma olha a sua. As rodas não se comparam. No círculo se conta que fatia foi escolhida e por quê, nunca os números.

De onde vem: é uma adaptação da roda da vida de Paul J. Meyer, anos sessenta. A versão clássica divide a vida inteira; esta divide só o dinheiro.

O baralho de valores

Um baralho de valores — segurança, liberdade, família, reconhecimento, generosidade, independência, pertencimento. Cada uma fica com cinco. Depois com três. E então olha se o jeito como gasta se parece com esses três.

A pergunta que fecha: onde, na sua conta, se nota o que você colocou primeiro?

De onde vem: do campo da entrevista motivacional (Miller e Rollnick). O baralho mais difundido é o de Miller, C'de Baca, Matthews e Wilson (2001), publicado para uso livre não comercial.

O genograma do dinheiro

A árvore familiar, anotando como cada pessoa se comportava com o dinheiro: quem administrava, quem calava, quem decidia, o que se herdou sem que ninguém dissesse.

Desenha-se sozinha. No círculo mostra-se e conta-se um padrão que se reconhece em si mesma. Um só: se você contar a história inteira, o retiro vira outra coisa.

De onde vem: o genograma é de Murray Bowen, na sua teoria de sistemas familiares, anos setenta. A aplicação ao dinheiro é prática comum na terapia financeira.

Aviso: é a ferramenta mais delicada do conjunto. Abre história familiar. Não se faz no primeiro retiro de um círculo novo.

O círculo de influência

Diante de uma preocupação de dinheiro, escreve-se tudo o que a rodeia e circula-se o que está na mão de cada uma. De dentro desse círculo escolhe-se uma ação.

Ninguém comenta a ação da outra. Diz-se em voz alta e passa-se para a seguinte. Sem essa regra, o exercício vira uma rodada de conselhos com outro nome.

De onde vem: de Stephen R. Covey, Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes, 1989.